RBP 259: Short Friday — Pintando o Sete
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Pintando o Sete.
Uma vez meu filho aprontou uma…
Tenho um filho, Tadeuzinho.
E tenho que admitir, criar um menino de dez anos sozinha é uma tarefa difícil, mas a gente se diverte.
Primeiro que a gente precisa sempre estar de olhos bem abertos para as novidades que eles acabam inventando.
Naquele dia, ele chegou da escola e foi se arrumar para almoçar.
Depois de um tempo, ele me voltou com um chapéu e com a farda toda suja, como se tivesse estourado uma caneta.
Senti vontade de gritar quando olhei para a blusa manchada… mas ele me veio com outra surpresa.
Passou com um chapéu de palha esquisito e foi bem apressado para o banheiro.
Pelo barulho, deu para ouvi-lo procurando alguma coisa, ligando o chuveiro e indo para lá e para cá.
Mãe é mãe, e a gente sabe quando tem alguma coisa errada com nossos filhos.
Esperei para ver quanto tempo o malandrinho ia esconder o que estava aprontando.
Até que, por fim, ele chegou na cozinha.
Ele mexia toda hora no chapéu, fazendo de tudo para esconder a cabeça.
Fingi que estava tudo normal e não perguntei nada.
Até que ele finalmente abriu a boca.
– Mãe, tem alguma coisa aqui em casa que sirva para cortar cabelo? – ele falou com a maior naturalidade do mundo.
– Para que você quer alguma coisa para cortar o cabelo?
– Não, não é nada não.
É só para o caso de um dia a gente precisar, né?
-Ah, entendi.
Que chapéu é esse que você está usando hoje?
– É que está quente.
Não queria levar sol na cabeça.
– Mas você está dentro de casa, não precisa de chapéu.
– É que eu queria ver como ele ficava.
– Ah, que legal, agora tira.
– Ah… acho que vou ficar mais um tempinho com ele.
Certo de que eu estava sendo enganada, ele saiu e foi averiguar alguma coisa nas gavetas dos armários.
Não sei o que ele acabou encontrando, mas logo sumiu.
Depois de certo tempo, ele voltou.
Desistiu do chapéu e agora estava com uma toalha na cabeça.
– Está hidratando o cabelo, Tadeu?
– Não, é que eu não enxuguei direito.
Eu já estava no limite daquela brincadeira.
Decidi ver o que ele tinha feito no banheiro.
Ele foi me seguindo, pedindo que por favor eu não fosse até lá.
Abri a porta…
E o banheiro parecia uma mistura de ateliê de pintura e salão de beleza.
Havia cabelo e tinta de tecido para todo lado.
Mechas de cabelo rosa, vermelho, laranja e até violeta estavam espalhadas pelo chão e entupindo o ralo da pia.
Na mesma hora, puxei o pano da cabeça de Tadeu.
Eu estava irada, mas não consegui segurar a gargalhada que veio logo em seguida.
Além das horrorosas falhas no cabelo mal cortado, ele tinha praticamente um arco-íris na cabeça.
Para meu pequeno gênio, que começou no vermelho e terminou no violeta, o chapéu de palha seria um acessório crucial até que o cabelo voltasse a crescer.